domingo, 13 de março de 2016

Eu vejo Deus nas manifestações!


É importante, antes de continuar com esta exposição, esclarecer ao caro leitor que o autor deste texto não é filiado a qualquer partido político e nem defende a nenhum. É como cidadão brasileiro e, sobretudo, como cidadão do reino de Deus, que o autor aqui mencionado se atém ao direito de emitir, dentro de uma ótica bíblica, sua opinião acerca do assunto a ser trabalhado neste texto. Dito isso, prossigamos.

É oficial. Segundo estimativa da Polícia Militar, as manifestações desse domingo, dia 13 de março de 2016, reuniram cerca de 2,8 milhões de pessoas em todo o país. O Datafolha, por sua vez, estimou em 500 mil o número de manifestantes, só na capital paulista, o que torna o ato o maior já registrado na cidade, superando, desse modo, a manifestação das Diretas Já, de 1984, que reuniu 400 mil.[1] A reivindicação dos participantes se concentra, principalmente, no impeachment da presidente Dilma. E não é por acaso. Em março de 2014, foi deflagrada a chamada Operação Lava Jato, que investiga um grande esquema de lavagem e desvio de dinheiro envolvendo a Petrobrás, grandes empreiteiras do país e políticos. Em seu depoimento, o ex-diretor de abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, afirmou que havia um esquema de pagamento de propina envolvendo a estatal e empreiteiras que abastecia o caixa de partidos como o PT, PMDB e PP. Contra a presidente Dilma foi determinada abertura de inquérito sobre a arrecadação de recursos para sua campanha de 2010.[2] Tudo isso foi noticiado na mídia.

O partido do governo e partidos aliados a ele, dentre outros, estão no foco das investigações da Lava Jato. Infelizmente, o Brasil é castigado por aquele que é ranqueado como um dos maiores esquemas de corrupção do mundo, mais especificamente, o segundo maior, de acordo com pesquisa realizada pela ONG Transparência Internacional.[3] Portanto, é possível, no mínimo, entender o porquê que estes 2,8 milhões de pessoas preferiram ir às ruas em pleno domingo.

Entendo que a manifestação é, em si mesma, um pretexto ao diálogo. É uma maneira pela qual a população brasileira, de norte a sul, de leste a oeste, expressa a sua insatisfação com a corrupção endêmica do país. Ao mesmo tempo a manifestação também funciona como uma arma para pressionar e, acima de tudo, minar as forças daqueles que pisam na nação e a desdenham, por meio do desvio do dinheiro público. Os corruptos, os falsos políticos, os cúmplices da impunidade, os sanguessugas da nação, merecem ser hostilizados. Não por meio da violência, mas através de um diálogo consciente, cujo conteúdo gire em torno da busca pela preservação da moralidade, da ética, da honestidade.

Quando se vê, nas manifestações, faixas e cartazes com frases do tipo: “Abaixo à corrupção”; “Chega de impunidade”; “Lugar de bandido é atrás das grades”; “Desculpe o transtorno, estamos mudando o Brasil”, entende-se que a população anseia por valores como justiça, honestidade, verdade. E é nesse anseio que consigo enxergar a pessoa de Deus nas manifestações.

Deus se constitui o padrão objetivo do que seja certo ou errado, de modo que, num mundo sem ele, ninguém pode dizer quais valores são certos e quais são errados.[4] Deus não compactua com a corrupção. Aliás, aquele a quem Deus ressuscitou não viu corrupção (At 13:37). Deus não está do lado dos mentirosos, pois é verdadeiro (Zc 7:9). O Deus Santo, evoca a seus filhos a manutenção dos direitos dos pobres, órfãos, viúvas, oprimidos e necessitados. Assim está escrito: Fazei justiça ao fraco e ao órfão, procedei retamente para com o aflito e o desamparado. Socorrei o fraco e o necessitado; tirai-o das mãos dos ímpios (Sl 82:3-4).

Pautado no que diz a Escritura Sagrada, eu consigo enxergar Deus na reivindicação por melhorias na saúde, na segurança, nas leis trabalhistas, nos programas sociais e na educação. Eu consigo ver Deus nas mãos suadas e nas mentes cansadas daqueles que com fadiga, se envolvem na luta para acabar ou diminuir o sofrimento alheio. Vejo Deus naqueles que se importam com o bem de uma nação ou com a felicidade de uma pessoa. Porém, mais do que enxergar a pessoa de Deus agindo nas circunstâncias, é necessário ser como ele, imitando-o por meio da prática dos valores por ele defendidos.


Jailton Sousa Silva, Pr.

           







terça-feira, 15 de setembro de 2015

União da Mocidade: O início

No dia 15 de setembro do ano de 1945, aproximadamente 13 anos após o Pr. João Augusto da Silveira ser batizado com o Espírito Santo, na cidade de Paulista-PE, surgiu a União da Mocidade Adventista da Promessa ou, como se denominou na época, Grêmio Monte Tabor. Esse departamento surgiu da necessidade de os jovens unirem-se em torno dos mesmos objetivos cristãos.

Chama a atenção o fato de que a União da Mocidade não surge de qualquer jeito. Regras são ali desenvolvidas[1]. Dentre elas, manutenção da fé e da doutrina cristãs, com base na Palavra de Deus. É isso mesmo: a Umap se interessava por doutrina.

A nossa convicção cristã só é fortalecida quando há interesse e valorização na doutrina cristã. A igreja primitiva observava a doutrina. Diz o texto de Atos 2:42: E perseveravam na doutrina dos apóstolosA nossa geração é carente de conhecimento e de convicções, mas em meio às trevas da ignorância, a Umap deve se portar como luz do conhecimento.

Outra regra na criação da Umap: Comunhão, fraternidade, sociabilidade entre todosSomos uma união. Somos dependentes uns dos outros. Deus quis assim, aliás, Deus quer assim. Nas palavras de Cristo, reino divido se autodestrói. A igreja primitiva, sabendo disso, perseverava também na comunhão e no partir do pãoSomos unidos pela Cruz de Cristo. Por seu sacrifício fomos, somos e seremos salvos. Estaremos unidos quando as tribulações vierem, mas juntos, moraremos com Deus e usufruiremos de seu reino vindouro.

Por fim, a ultima regra enfatizada na formação da Umap: a manutenção da moralidade. Setenta anos se passaram. Muitos daqueles jovens que viveram os primeiros anos da Umap, não mais estão entre nós. Os tempos também mudaram, o nome da União da Mocidade, mudou. O que jamais mudará, entretanto, são os valores, os princípios e absolutos da Palavra. Deus foi e continua sendo o Deus Santo e jamais mudará de lado. O nosso desafio é ser como ele. Santifiquemo-nos a cada dia. Não nos conformemos com o pensamento e valores deste mundo.

A corrida continua. Estejamos prontos. Sigamos as regras e sejamos perseverantes.

Em Cristo, 

Jailton Sousa Silva, Pr.



[1] MARCOS que pontilham o caminho: a história continua. 1ª Ed. São Paulo: GEVC, 2002.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

EM BUSCA DE UM MILAGRE

Naamã, comandante do exército do rei da Síria, era grande homem diante do seu senhor e de muito conceito, porque por ele o SENHOR dera vitória à Síria; era ele herói da guerra, porém leproso. (2Reis 5:1)

É consenso que apesar das dificuldades detectadas na área da saúde, a medicina evoluiu de maneira significativa. Hoje em dia é possível detectar algumas doenças futuras através das informações genéticas de uma pessoa, por meio de um simples exame, o que há alguns anos era impossível. Os métodos de cura se mostram muito mais eficientes e as pesquisas e as descobertas não param. Contudo, apesar de todo aparato medicinal, as pessoas continuam morrendo, vítimas de enfermidades. As doenças vasculares cerebrais, por exemplo, estão dentre as que mais matam no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Ainda há doenças sem cura. A medicina sempre ajuda, mas nem sempre resolve o problema. E quando isso acontece, o que fazer? Naamã resolveu ir em busca de um milagre. O que aprendemos com a história dele?

Em primeiro lugar, esse episódio nos ensina que somos vulneráveis:
Quem era Naamã? Comandante do exército sírio, em Damasco, nos tempos de Jorão, rei de Israel. Naamã foi homem habilidoso e corajoso, que merecia a posição que ocupava. Muitas das vitórias dos sírios devem-se a grande capacidade militar desse comandante. Naamã estava acostumado às vitórias. Ele era um herói nacional; ao mesmo tempo  estava ele acostumado à fama: o seu nome vivia atrelado ao êxito; era uma personalidade de sucesso em seu país.

Naamã estava acostumado às regalias. Ele dispunha de livre acesso ao palácio real. Os corredores do poder não lhe eram estranhos. Naamã possuía o que muita gente gostaria de ter: riqueza, fama, poder, conquistas. Um dia, porém, a casa caiu. O homem que sabia humilhar os seus adversários com as lâminas de sua espada, foi derrotado diante de uma horrível enfermidade: a lepra.

O que isso nos ensina? É simples: não existem super homens ou mulheres maravilhas no mundo real. O jovem que pensa que nunca vai morrer, engana-se a si mesmo. Dirigir em alta velocidade, entupir as veias com drogas, encher os pulmões de álcool, podem levar a morte. O investidor não está imune a perdas monumentais no mercado de ações; um pastor integro e sincero pode ser vítima de uma investida satânica; o atleta não está livre de um infarto e o rico, pode sim, ficar pobre.

Portanto, cuidado com o excesso de autoconfiança. Não somos tão fortes quanto pensamos. Cristo nos tornou livres do domínio do pecado, mas não da presença dele. Se o subestimarmos, podemos cair por sua causa. Cuidado: a presunção pode nos prejudicar. A arrogância é a porta de entrada para o fracasso. Somos vulneráveis. 


O episódio da enfermidade de Naamã nos ensina, em segundo lugar que: somos dependentes:
Naamã não tem como escapar da lepra. Ele está desesperado. A sua condição é a pior possível para quem ostenta o título de general. A serva israelita que vivia no palácio avisa que o profeta de Deus pode curá-lo. Essa notícia é suficiente para que o general leproso tenha um fio de esperança. Então, com a autorização de seu rei, Naamã vai buscar ajuda em Israel. 

Naquele momento, Israel e Síria estavam em paz, mas antes eles já haviam guerreado um contra o outro. Agora, porém, isso pouco importa ao general enfermo. Ele está em busca de um milagre, de uma cura. O profeta Eliseu não era Deus, mas era homem de Deus; ele possuía autoridade de Deus para curar. E porque tinha autoridade, Eliseu disse ao rei: Deixa-o vir a mim, e saberá que há profeta em Israel. (2Rs 5:8). E porque era profeta de Deus, Eliseu disse ao general sírio: Vai, lava-te sete vezes no Jordão e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo (v.10).

Os milagres de Deus devem ser buscados no lugar certo. Deus é quem nos cura de nossas enfermidades. Ele vai aonde ninguém mais pode chegar. O médico pode remover a doença do corpo, mas só Jesus pode remover as enfermidades não somente físicas, mas também, espirituais. Cristo cura quando, onde e a quem ele quiser. Todas as enfermidades estão debaixo de seu poder e soberania.

Dependemos de Jesus para sermos curados de nossas crises existenciais. Precisamos de Jesus para sermos curados do pecado. Dependemos de Jesus para sermos curados daquilo que aos homens é incurável. Somos vulneráveis sim; somos dependentes sim; Mas o poderoso Deus faz do fraco, forte.

Se a situação estiver difícil, busque a Deus; Se o casamento estiver por um fio, busque a Deus; Se a doença foi detectada, busque a Deus; se o projeto falhou, busque a Deus; se o filho deu problema, busque a Deus.

Busquemos a Deus porque ele tem cuidado de nós.

Em Cristo, 

Jailton Sousa Silva

sexta-feira, 7 de março de 2014

O preço da liberdade


           Soltou aquele que estava encarcerado por causa da sedição e do homicídio, a quem eles pediam; e, quanto a Jesus, entregou-o à vontade deles. (Lc 23:25)


Um amigo verdadeiro não nos abandona. Ele não fica por perto visando algum interesse pessoal. Um verdadeiro amigo divide a dor, aconselha, ama, repreende. Um amigo verdadeiro é fiel. Mas quem gostaria de ser amigo de um assassino? Quem daria a vida por um terrorista?  
O capítulo 23 do evangelho de Lucas é intrigante. A narrativa gira em torno de alguns personagens, mas gostaríamos de enfatizar dois deles. Cristo e Barrabás. É possível que Barrabás jamais tivesse falado com Cristo na vida. Talvez nunca tivessem trocado uma ideia sequer. Contudo, ambos tinham algo em comum: estavam na rota da cruz. Eles estavam presos e marcados para morrer. Mas somente um deles chegaria realmente, a morrer na cruz. O outro, por sua vez, seria posto em liberdade.
Não sei se você conseguiu pegar o “fio da meada”: o preço da liberdade é a morte de alguém. É isso que fica evidente no episódio narrado em Lucas 23:13-25. Para que Barrabás se tornasse um homem livre, Jesus deveria ser morto. Para que a humanidade se tornasse liberta, o Cordeiro de Deus deveria enfrentar a horrenda cruz romana. Foi exatamente isso que aconteceu. Os fatos mencionados nos evangelhos culminam na seguinte certeza: Jesus morreu para nos livrar da prisão.
            Há muito tempo Barrabás estava sendo caçado. Os soldados o seguraram com força, algemaram-lhe as mãos e o lançaram na prisão. O homem que antes era o assassino revolucionário mais procurado do país, agora não passa de um prisioneiro indefeso. A sua vida de crimes havia chegado ao fim. Na prisão romana estava ali confinado o cruel zelote. O v.19 diz: Barrabás estava no cárcere por causa de uma sedição na cidade e também por homicídio (grifo nosso).
            Barrabás agora está preso. Sabia ele que havia se metido numa tremenda enrascada. O seu presente era a prisão, mas o seu destino final seria a morte. Contudo, sua história começa a caminhar para um desfecho diferente. Do lado de fora da fortaleza onde ele estava preso, havia um grande tumulto que deixara Pilatos, o governador romano, preocupado. A multidão enfurecida exigia a “cabeça” de Jesus. Mas Pilatos sabia que Cristo não merecia morrer. Na inútil tentativa de impedir a condenação de Cristo, o governador expôs os dois réus ao julgamento da multidão e dos líderes judeus, e perguntou-lhes: Qual dos dois quereis que eu vos solte? Responderam eles: Barrabás! (Mt 27:21b).
Que alivio Barrabás deve ter sentido! Agora ele podia dizer: “Estou livre!”. Entenda: Barrabás não foi solto por bondade de Pilatos, nem por compaixão da multidão.  O que houve foi uma substituição, isto é, Barrabás foi solto porque Cristo tomou o seu lugar. Se Jesus não tivesse cruzado o seu caminho, ele seria torturado, pregado e morto sobre a vergonhosa cruz. Barrabás foi liberto porque um homem inocente foi condenado.
            Porque o inocente foi crucificado não mais estamos presos debaixo do domínio do pecado, nem estamos mais separados de Deus. Como Barrabás, estávamos confinados no cárcere. Sobre nós pesava a ira de Deus. Mas Cristo tomou o nosso lugar! Sem ele, estaríamos perdidos! Cristo tem poder para livrar-nos das garras devastadoras do pecado! Sim, Cristo odeia o pecado, mas ama o pecador. Ele não é amigo do mal, mas é o melhor amigo do ser humano!
 Há uma verdade por trás de toda essa história: Jesus foi preso para livrar não somente a Barrabás, mas também, para livrar a você da prisão! Ele veio proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e para proclamar o ano aceitável do Senhor (Lc 4:18-19). Pela cruz, Cristo nos dá liberdade!


Pr. Jailton Sousa Silva